Nasci em Belo Horizonte em 1947. As montanhas se tornaram o horizonte limite do meu olhar durante todos esses anos. No princípio, sinuosas ainda originais e intactas, depois rasgadas, modificadas pela mão do homem com a extração e a construção subindo a serra. Suas curvas ficaram muito fortes na minha lembrança e quando defini a minha linha de utilitários trouxe, através das bordas rasgadas, esse horizonte irregular outrora mágico. Trabalhando o barro, modelo idéias e crio formas. A modelagem manual, o acabamento, o lento processo de secagem e queima particularizam cada trabalho. Materiais reciclados, rejeitos minerais, cinza de madeira, pigmentos naturais - dão às minhas massas características ao mesmo tempo pessoal e regional. Os brancos, os crus e as cores emergem de formas irrepetidas e nada convencionais, num perpétuo gesto do criar.
Depois de um longo tempo trabalhando com texturas e cores resolvi mudar e vencer uma dificuldade: modelar massa de porcelana e trabalhar com branco e preto. Usar as idéias de Kandinsky - pontos e linhas e descobrir que as linhas ora femininas ora masculinas nos levam a um longo caminho. O uso de grafismos resultam num trabalho limpo, racional e definido.
Hoje me tornei uma moradora de Tiradentes: trouxe a minha casa e o meu trabalho para uma cidade pela qual me apaixonei e onde, todos os dias, faço o que gosto. Para visitar o atelier, vá até a Igreja Matriz, siga pela direita até o fim do quarteirão. Vire à esquerda em frente à Copasa. É a primeira casa da rua, ao lado esquerdo. Seja bem-vindo.
|